terça-feira, 30 de agosto de 2016

Os dois zoos de Berlim

Berlim é uma cidade paraíso para as crianças, não tanto pela sua beleza, mas pela multiplicidade de atividades que se podem fazer com as crianças.

Que criança não aprecia uma ida ao Jardim Zoológico?

Ao contrário da maioria das cidades, que só têm um jardim zoológico, Berlim tem dois: o Zoologischer Garten, na zona oeste da cidade e o Tierpark, na zona este.

Cada um tem o seu estilo.

Se me pergunta qual prefiro, respondo que os dois são bons, mas
gosto mais do Tierpark, que além dos animais, tem imensas áreas verdes e mais espaço, para que miúdos e graúdos caminhem, sob a sombra das árvores, apreciando os animais. Além dos animais selvagens, este dispõe também de uma quinta pedagógica, com burros, vacas e cavalos, que as crianças podem acariciar e ver mais de perto.
Além disso, encanta-me o facto de os animais não estarem tão enjaulados. A maioria encontra-se bastante visível, tendo como separador água, em vez de grades.

Os dois zoos têm parques , para que as crianças brinquem, se já estiverem saturadas de ver os animais e precisarem libertar energia.

Há , contudo, dois detalhes que poderão levar as pessoas a preferir o zoo da zona oeste: tem mais espécies de macacos e tem um aquário (que pode ser incluido no bilhete de entrada, pagando mais cinco ou seis euros). Devo dizer que o aquário não é extraordinário. É semelhante ao Aquário Vasco da Gama, em Algés, e creio que até tem menos espécies.

Em nenhum dos zoos vi show de golfinhos, araras que contam ou focas que beijam as pessoas, como no de Lisboa. Apenas a alimentação dos animais, mas são, mesmo assim, lugares interessantes e que vale a pena visitar.


Informações e desabafos sobre o Sistema de Saúde na Alemanha

Na Alemanha o Sistema de saúde funciona de forma bastante distinta.

Aqui nenhum profissional de saúde ou hospital presta atendimento gratuito e, sendo assalariado, desconta do seu ordenado cerca de dezasseis por cento para um seguro de saúde , que é obrigatório (para além dos trinta e tal por cento em descontos para outras áreas).

É obrigatório ter seguro de saúde, seja residente, turista ou desempregado.
Quem está de visita e é europeu, está coberto pelo Cartão Europeu de Saúde (lembre-se de o pedir , na Segurança Social, antes de viajar). Quem não é europeu , deve informar-se na embaixada a respeito deste assunto, para não vir a ter problemas com o visto.

Caso não trabalhe, mas seja casado(a) oficialmente e tenha filhos, o seguro de saúde do cônjuge que trabalha, cobre geralmente o núcleo familiar. Isso também é positivo.

Se vive apenas em união de facto ( que não é reconhecida na Alemanha), o seguro cobrirá apenas os filhos e se precisar de seguro de saúde para o cônjuge, este rondará , em média, os 150 euros mensais (o "pacote" mais básico) e , mesmo assim, nem sempre é fácil consegui-lo.

No meu caso, como vivo em união de facto, pediram-me um comprovativo em como não estou associada a um seguro de saúde em Portugal. Só assim me permitiriam aceder a um seguro de saúde Alemão.
Uma vez que nunca tive seguro de saúde em Portugal, porque o sistema público de saúde que temos não nos obriga a tal, não pude ter seguro de saúde, porque sem um papel de uma entidade portuguesa que diga e valide esse facto, a quadradez alemã não aceita a pessoa (mesmo pagando 150 euros mensais - é , no mínimo, bizarro).

Numa situação como esta, em que não tem seguro de saúde, peça a todos os santinhos para não adoecer e tenha muito cuidado com os médicos, se recorrer a um, pois podem enganá-lo nas contas (há muito relatos a esse respeito e eu já o vivi, quando apanhei varicela. Tive que ir a uma consulta, pois tinha vôo marcado e, para cancelar e receber uma percentagem do valor pago, tinha que apresentar um atestado médico à companhia aérea. Dirigi-me a uma médica de clinica geral, que me informou previamente que a consulta tinha um custo de trinta euros e obrigou-me a fazer análises. Eu não queria fazer as análises, pois receava que o valor aumentasse e se já sabia que o que tinha era varicela, não fazia sentido, mas tive que as fazer e a médica continuava a jurar a pés juntos que o valor a pagar não ultrapassaria os trinta euros. Em resumidas contas, no final, tive que pagar quase quinhentos euros. Reclamei, mas como não há livro de reclamações e era a palavra dela contra a minha, a senhora só me disse, com um ar muito indignado "eu disse-lhe que aqui não tinha que pagar mais de trinta euros, mas a realidade é que o laboratório é uma entidade distinta e a eles tem que pagar"). Como dizemos de forma vulgar em terras lusitanas"paguei e não bufei" (tentei, mas não deu resultado).

Além destas , já tive outras experiências pouco positivas com médicos: um pediatra, nas urgências do Hospital Virkow Klinikum que se queixou porque apareci numa sexta-feira com o meu filho (e havia menos de dez pessoas para atender na ala das urgências) , que foi incrivelmente rude e nos deixou oito horas à espera, numa sala de espera imunda (talvez tenha sido uma exceção, mas não recomendo este hospital. Dirija-se ao de Buch, que tem instalações mais limpas e gente mais educada);
a pediatra dos meus filhos expulsou-nos do gabinete porque ele começou a chorar e ela alegou que não conseguia concentrar-se e o meu marido ficou inapto para trabalhar durante dois meses, porque por negligência médica, lhe tiraram liquido da coluna , para fazer um exame, não o deixaram a repousar como seria suposto e o homem ficou sem andar durante dias e com umas dores de cabeça que, apesar de menos intensas, duram até hoje.

Assim, quando lhe vierem com aquelas balelas de que na Alemanha são tudo maravilhas e que a saúde é grátis e muito boa, não é bem assim. Não estou a dizer que o sistema de saúde seja mau (as infra-estruturas são geralmente boas, mas já no que diz respeito ao atendimento , do meu ponto de vista, deixa a desejar).

O que é realmente interessante é que, se não gostar de um médico, pode mudar para outro , sem compromissos (resta saber é se o médico tem vagas ou se terá que ficar meses, numa lista de espera, para ficar com o que escolheu).

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

5 motivos para amar ou odiar Berlim

Gostar ou não de uma cidade depende não só das condições que a mesma oferece mas, sobretudo, das expectativas e personalidade de cada um.

Enuncio então cinco razões que podem levar as pessoas que ainda não vieram a Berlim a gostar ou não da cidade.

1. A pontualidade não é um mito!

É verdade que também há quem se atrase, mas quando falamos de atrasos em Berlim, falamos de uns cinco minutos e já é considerado muito ! A única exceção são os médicos.
Quando vai tratar de assuntos burocráticos a uma entidade pública, a pontualidade é quase sempre garantida, a tal ponto que lhe agendam frequentemente uma marcação para as 9h53 ( às vezes falham por um ou dois minutos, mas nem pense atrasar-se ou poderá ter que repetir a marcação para dois meses depois. Raramente há tolerância! O tempo alheio é muito respeitado).
Se combina um encontro com um amigo ou conhecido, tente chegar a horas. É um passo muito importante, para uma amizade de sucesso. Isso não significa que chegar antes da hora também seja algo valorizado. O ideal é chegar mesmo na hora exata!


2. Em Berlim não há o " jeitinho"!

Quem de nós não está habituado ao famoso "jeitinho"?
As coisas não correm tão bem, porque nos esquecemos de um documento para as finanças ou precisávamos mesmo de alguém um pouco mais flexível. Esqueça! Aqui não há "jeitinhos"! As coisas são como são e se tem que entregar 10 documentos a uma entidade pública e só levou nove, terá que regressar noutro dia.
Tem que levantar uma encomenda nos correios , tem o cartão de cidadão , mas esqueceu-se do papel que estava na caixa do correio? Não vale a pena insistir. Tolerância zero!


3. Ser diferente é motivo de orgulho.

Marcar pela diferença parece ser algo muito apreciado, sendo por vezes levado ao extremo.
Punks, góticos, mulheres com roupa e acessórios vintage, pessoas tatuadas da cabeça aos pés ( sem exagero, algumas parecem obras de arte ambulantes. Há temas para todos os gostos, mas preferencialmente algo "hardcore", como monstros nas pernas, cruzes nos dedos das mãos e diabretes nos braços. Há tatuagens para todos os gostos e muitas vezes fazem-se acompanhar de penteados punk, mais ou menos coloridos e adornos de cabedal).
Se pensava que homens de saia só na Escócia, de vez em quando também encontra alguns a passear pela Alexander Platz , trajados de forma pouco convencional.
Aqui, mesmo no local de trabalho, as pessoas podem usar piercings, pintar o cabelo de cor de rosa, os homens podem pintar as unhas de vermelho...
Se, por acaso, tinha sono e calçou dois sapatos de cores diferentes, provavelmente ninguém se vai importar ou sequer prestar atenção a esse detalhe. Aqui , cada um é livre de ser como deseja, sem juízos de valor, mas isso não implica que falhe na limpeza. A higiene é prezada!


4. Em Berlim não há sol 230 dias por ano!

Este pode ser um grande obstáculo para um falante de língua portuguesa!
Os invernos são longos e rigorosos. Há muito frio, muita neve e os verões podem simplesmente durar menos de um mês e depois contente-se com nuvens e chuva. Lá há um ou outro mais soalheiro, mas nada que se compare à longevidade de um verão em Portugal ou no Brasil. Além disso há muitos bairros "cinzentos", desprovidos de cor , o que dá à cidade um tom um pouco austero.


5. Pausa para o cafezinho? O que é isso? No trabalho, trabalha-se!

Aqui quando se trabalha, trabalha-se a sério. Durante o horário de trabalho não há pausas para tomar café ou comer um bolo ( só para fumar e, mesmo assim, convém fazê-lo com alguma moderação. Há empresas que chegam a pagar mais a quem não fuma, por se considerar que é mais produtivo).
Se quer estabelecer diálogo com o seu colega de trabalho, evite! No horário de trabalho só se fala do que se está a fazer e só se for mesmo necessário. A sua concentração deve estar direcionada para a tarefa que está a desempenhar. Se pensa fazer amizades no trabalho, talvez fora do horário laboral consiga. Caso contrário, procure fazer amigos noutro sítio!