terça-feira, 30 de agosto de 2016

Informações e desabafos sobre o Sistema de Saúde na Alemanha

Na Alemanha o Sistema de saúde funciona de forma bastante distinta.

Aqui nenhum profissional de saúde ou hospital presta atendimento gratuito e, sendo assalariado, desconta do seu ordenado cerca de dezasseis por cento para um seguro de saúde , que é obrigatório (para além dos trinta e tal por cento em descontos para outras áreas).

É obrigatório ter seguro de saúde, seja residente, turista ou desempregado.
Quem está de visita e é europeu, está coberto pelo Cartão Europeu de Saúde (lembre-se de o pedir , na Segurança Social, antes de viajar). Quem não é europeu , deve informar-se na embaixada a respeito deste assunto, para não vir a ter problemas com o visto.

Caso não trabalhe, mas seja casado(a) oficialmente e tenha filhos, o seguro de saúde do cônjuge que trabalha, cobre geralmente o núcleo familiar. Isso também é positivo.

Se vive apenas em união de facto ( que não é reconhecida na Alemanha), o seguro cobrirá apenas os filhos e se precisar de seguro de saúde para o cônjuge, este rondará , em média, os 150 euros mensais (o "pacote" mais básico) e , mesmo assim, nem sempre é fácil consegui-lo.

No meu caso, como vivo em união de facto, pediram-me um comprovativo em como não estou associada a um seguro de saúde em Portugal. Só assim me permitiriam aceder a um seguro de saúde Alemão.
Uma vez que nunca tive seguro de saúde em Portugal, porque o sistema público de saúde que temos não nos obriga a tal, não pude ter seguro de saúde, porque sem um papel de uma entidade portuguesa que diga e valide esse facto, a quadradez alemã não aceita a pessoa (mesmo pagando 150 euros mensais - é , no mínimo, bizarro).

Numa situação como esta, em que não tem seguro de saúde, peça a todos os santinhos para não adoecer e tenha muito cuidado com os médicos, se recorrer a um, pois podem enganá-lo nas contas (há muito relatos a esse respeito e eu já o vivi, quando apanhei varicela. Tive que ir a uma consulta, pois tinha vôo marcado e, para cancelar e receber uma percentagem do valor pago, tinha que apresentar um atestado médico à companhia aérea. Dirigi-me a uma médica de clinica geral, que me informou previamente que a consulta tinha um custo de trinta euros e obrigou-me a fazer análises. Eu não queria fazer as análises, pois receava que o valor aumentasse e se já sabia que o que tinha era varicela, não fazia sentido, mas tive que as fazer e a médica continuava a jurar a pés juntos que o valor a pagar não ultrapassaria os trinta euros. Em resumidas contas, no final, tive que pagar quase quinhentos euros. Reclamei, mas como não há livro de reclamações e era a palavra dela contra a minha, a senhora só me disse, com um ar muito indignado "eu disse-lhe que aqui não tinha que pagar mais de trinta euros, mas a realidade é que o laboratório é uma entidade distinta e a eles tem que pagar"). Como dizemos de forma vulgar em terras lusitanas"paguei e não bufei" (tentei, mas não deu resultado).

Além destas , já tive outras experiências pouco positivas com médicos: um pediatra, nas urgências do Hospital Virkow Klinikum que se queixou porque apareci numa sexta-feira com o meu filho (e havia menos de dez pessoas para atender na ala das urgências) , que foi incrivelmente rude e nos deixou oito horas à espera, numa sala de espera imunda (talvez tenha sido uma exceção, mas não recomendo este hospital. Dirija-se ao de Buch, que tem instalações mais limpas e gente mais educada);
a pediatra dos meus filhos expulsou-nos do gabinete porque ele começou a chorar e ela alegou que não conseguia concentrar-se e o meu marido ficou inapto para trabalhar durante dois meses, porque por negligência médica, lhe tiraram liquido da coluna , para fazer um exame, não o deixaram a repousar como seria suposto e o homem ficou sem andar durante dias e com umas dores de cabeça que, apesar de menos intensas, duram até hoje.

Assim, quando lhe vierem com aquelas balelas de que na Alemanha são tudo maravilhas e que a saúde é grátis e muito boa, não é bem assim. Não estou a dizer que o sistema de saúde seja mau (as infra-estruturas são geralmente boas, mas já no que diz respeito ao atendimento , do meu ponto de vista, deixa a desejar).

O que é realmente interessante é que, se não gostar de um médico, pode mudar para outro , sem compromissos (resta saber é se o médico tem vagas ou se terá que ficar meses, numa lista de espera, para ficar com o que escolheu).

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